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Instituto afirma que risco de apagão é de 14% em 2011
Autor: Valor Online

13/04/2007
Maurício Capela
Para uma parcela significativa das companhias de distribuição e de geração do país já surge uma luz amarela em relação ao risco de desabastecimento de energia. O Instituto Acende Brasil, que representa 66% da distribuição do insumo e 28% da geração de energia no Brasil, em parceria com a consultoria PSR, deu o pontapé inicial a uma série de estudos, que deverão ser publicados trimestralmente, em relação ao risco de o país passar por um novo racionamento de energia. Na primeira edição do levantamento, o risco apontado é de 8% para 2010 e de 14% em 2011.
O indicador, superior aos 5% que o mercado de energia aceita como limite, também difere dos cenários da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), companhia do Ministério das Minas e Energia. Em 2010, a EPE calcula 4,5%, enquanto que em 2011 o indicador apontado é de 10%.
Para formatar o estudo, contudo, a entidade e a PSR levaram em consideração a atual oferta de energia térmica a gás natural próxima dos 2 mil megawatts e o patamar disponível de geração hidrelétrica já com os reservatórios nos níveis de hoje, ou seja, cheios. As hidrelétricas correspondem a 85% da capacidade de energia do país.
O trabalho considera que para financiar o crescimento anual da economia no Brasil, de 4%, haverá um esvaziamento dos reservatórios entre 2007 e 2009. E, portanto, o uso intenso poderia afetar o abastecimento a partir de 2010.
Portanto, explica Mário Veiga, presidente da PSR, a proposta é incorporar na simulação o processo decisório usado para decretar o início e a profundidade do racionamento. Procurada pelo Valor, a EPE informou que primeiro precisa tomar conhecimento do estudo para depois se pronunciar a respeito.
Contudo, o levantamento do Instituto Acende e da PSR também aponta medidas preventivas que poderiam corrigir a rota. Uma delas diz respeito ao leilão A-3, onde serão licitados empreendimentos cuja entrega de energia nova deverá ser feita em três anos. Há leilões dessa modalidade previstos para 2007 e 2008. "Também caberia ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) propor medidas de ajuste, como acreditamos ser o caso desse leilão de fontes renováveis", afirma Claudio Sales, presidente do Instituto Acende.
Sales chama a atenção também para o uso de contabilização diferente quanto ao risco de déficit, o que provocaria desencontros no debate. E recomenda até uma regulamentação, formatando já um futuro racionamento de energia.
Apesar de o setor ter acendido a luz amarela, o presidente do instituto ressalta que o trabalho não traz o tom de alarme. E assegura que há tempo suficiente e opções de ações regulatórias que poderiam evitar um futuro racionamento de energia.

13 de Abril, 2007
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