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Quem é responsável?
O segundo evento dos Diálogos Sustentáveis – Desenvolvimento Sustentável: quem é responsável? – teve como objetivo a promoção do diálogo sobre papéis e responsabilidades que cada setor assume e suas perspectivas sobre as responsabilidades que os outros setores devem assumir em relação ao desenvolvimento sustentável. Promovido pela ABDL, essa fase do projeto contou com o apoio da Fundação AVINA e da Accountabillity – entidade que promove inovações que avancem as práticas responsáveis na sociedade.
Os seminários aconteceram entre os dias 22 e 24 de novembro de 2006 na sede da UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz), em São Paulo, e contaram com a presença de 57 participantes de diferentes regiões do país representando quatro setores: empresarial, governamental, sociedade civil e mídia.
O conceito de accountability (do inglês accountable = responsável) permeou os conteúdos do evento com o sentido de que cada um deve se responsabilizar e ser responsabilizável pelo desenvolvimento sustentável, com destaque para a importância de que este quadro de responsabilidades seja construído de maneira compartilhada e com foco em ações de mudança.
No primeiro dia, os trabalhos foram abertos por Andrés Falconer, coordenador executivo da ABDL, e Sérgio Talocchi, coordenador do Diálogos Sustentáveis, que fizeram uma apresentação sobre as atividades anteriores do projeto e os objetivos principais dos três dias de evento. Ainda pela manhã, o economista José Eli da Veiga da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/ USP) apresentou uma palestra dividindo os termos “desenvolvimento” e “sustentável”. “Só assim”, segundo ele, “se pode fazer uma discussão científica do termo desenvolvimento sustentável”. No período da tarde houve a apresentação de um painel multissetorial sobre o estado da arte e da prática dos quatro setores presentes para o desenvolvimento sustentável. Foram apresentados por Hélio Neves, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, representando o setor governamental; Eugênio Singer, da ERM Consultoria, o empresarial; Carlos Tautz, do IBASE, pelo setor mídia e Andrés Falconer pela sociedade civil.
Para o segundo dia foi feita uma apresentação por Bertrand Sampaio de Alencar, coordenador de Resíduos Sólidos da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza e apoio técnico da Comissão Nacional do MNCR – Movimento Nacional de Catadores Recicláveis. O objetivo foi discutir e problematizar os aspectos históricos e sociais que levaram à formação do MNCR, assim como compartilhar com os participantes as dificuldades e perspectivas atuais do movimento que envolve questões tanto da esfera política e econômica quanto ambiental e social. Alencar mostrou a trajetória dos catadores no Brasil, da origem até o início da formação de cooperativas e associações e as principais dificuldades vivenciadas por eles ao longo do período.
Ao término da palestra, a turma foi dividida em grupos de trabalho, por setor, para a construção de visões setoriais sobre desenvolvimento sustentável. Terminada esta etapa, cada grupo apresentou suas visões, contribuições positivas e negativas, tendências e vanguardas sobre o tema. Foram então reorganizados aleatoriamente em quatro turmas diferentes. A proposta agora era identificar os pontos divergentes e convergentes dos setores, as oportunidades de ação e como iniciativas como o projeto Diálogos Sustentáveis podem inspirar a pratica dessas ações.
Terceiro dia
“Estabelecer diálogo em um país como o Brasil é um desafio o tempo todo”. A frase é de Olinta Cardoso, diretora superintendente da Fundação Vale do Rio Doce e também da área de comunicação da empresa, em entrevista dada a Valdemar de Oliveira Neto, o Maneto, da Fundação AVINA e que abriu o último dia dos trabalhos. Ela falou da importância dos espaços de diálogo para equilibrar a atividade econômica às questões sociais e ambientais. Para ela, é preciso entender e tratar as diferenças entre os diversos interlocutores, pois o diálogo não é entre duas partes. Ele envolve o desafio de trazer, a todo o momento, um novo olhar. Para exemplificar sua fala, Olinta cita o colombiano Bernardo Toro, filósofo, educador e ativista do desenvolvimento sustentável, que diz que ter responsabilidade social é “entender e compartilhar a vida das pessoas e sua história”.
A segunda parte da manhã buscou provocar nos participantes dos grupos uma reflexão sobre os papéis e responsabilidades (individuais e coletivas) do setor frente ao desenvolvimento sustentável. A idéia foi gerar um conjunto de agendas e perspectivas de caráter mais pragmático sobre a maneira que se possam realizar estas responsabilidades e compromissos. Apresentada a produção dos grupos, Alejandro Litovsky, da Accountability e Thais Corral, da CEMINA (Comunicação, Educação e Informação em Gênero), comentaram os trabalhos e apontaram a relação entre responsabilidade e accountability. Fizeram também uma breve leitura dos estágios onde tanto accountability e diálogos se encontram.
As atividades se encerraram com a avaliação e comentários dos participantes, que destacaram a própria oportunidade do encontro, marcado não somente pela multissetorialidade, mas também pela diversidade de experiências e trajetórias de vida, assim como pelas visões diferenciadas sobre a concepção de desenvolvimento sustentável. Andrés Falconer fechou o evento dando destaque a importância da ABDL ser responsável perante os participantes do Diálogos por encontrar-se no processo de formação de redes e identificação de pontos de alavancagem que resultem em ações concretas.
Mais três eventos dos Diálogos Sustentáveis estão marcados para o primeiro semestre de 2007. Confira.
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