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História do Movimento Ambiental
No dia 20 de maio de 2003, o Fórum de Liderança ABDL apresentou a trajetória de Axel Grael, fellow da 6ª turma do Programa LEAD, permitindo ao público acompanhar a evolução do movimento ambientalista nos últimos 20 anos, refletida na atuação individual deste que é um dos mais versáteis integrantes da Comunidade ABDL. Fundou ONGs quando elas ainda eram uma novidade, trabalhou com o governo e com a iniciativa privada.
Seu envolvimento com a causa ecológica é bem anterior à profissionalização da área. Membro de uma família de velejadores – irmão dos medalhistas olímpicos Lars e Torbem Grael – Axel sempre esteve em contato direto com o mar e a degradação provocada pela atividade humana. Segundo seu relato, os velejadores que praticavam na região da Baia da Guanabara estavam acostumados a voltar com seus barcos cobertos pelo óleo despejado por empresas enlatadoras de sardinhas. Para denunciar o problema Axel reuniu outros praticantes de vela na Regata de Protesto. Este foi o primeiro passo na fundação do MORE – Movimento de Resistência Ecológica, ONG que ajudaria a fundar em Niterói, Rio de Janeiro, no ano de 1980.
Eram os primórdios do ambientalismo, e uma ONG ecológica era pouco mais do que um grupo de pessoas, em geral jovens, informalmente reunidas e devotadas à organização de protestos, mas sem propostas muito estruturadas para apresentar. Este era o perfil da MORE que, no auge, chegou contar com 5000 afiliados. Sem muitos recursos ou experiência, numa época em que ainda faltava um rumo geral, essa organização obteve avanços como a incorporação dos problemas ecológicos nas pautas dos jornais regionais e influenciar na formulação da Lei Orgânica e na Lei de Uso do Solo do município de Niterói. Entretanto, o crescimento da entidade levou a um racha interno e a saída dos fundadores.
Com sua saída do MORE, Axel e outros ex-companheiros nessa primeira experiência fundaram o Movimento Cidadania Ecológica. Refletindo um segundo momento do ambientalismo, essa nova iniciativa tinha objetivos mais bem estruturados, atuando na promoção de ações técnicas, geração documentos voltados à tomadores de decisão e lobby em prol de uma legislação ecológica mais eficaz. O principal fruto desse trabalho foi a bem sucedida campanha pela criação da Reserva Estadual da Serra da Tiririca, fato que posteriormente abriu caminho para Axel na administração pública do Rio de Janeiro. Embora mais propositiva que a etapa anterior ainda não havia uma preocupação com a profissionalização da entidade, todo o trabalho era feito de forma voluntária resultando no afastamento dos membros.
Como muitos outros de sua geração, Axel acabou encontrando o caminho para uma ação mais afirmativa dentro do setor público, primeira experiência governamental aconteceu em 1991, quando foi nomeado Presidente do Instituto Estadual de Florestas, tornando-se responsável pela administração de parques e áreas protegidas. Suas funções posteriores incluem: Diretor Executivo da Administração de Parques e Jardins da Cidade do Rio de Janeiro, 1995; Coordenador de Planejamento da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, para o qual foi aprovado em concurso público em 1997; Presidente da Feema – Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, 1999; e Subsecretario de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, entre junho de 2001 e abril de 2002.
À frente desses postos Axel esteve na linha de frente na implementação de políticas como a do Sistema de Compensações Ambientais, que cobrava multas de empresas poluidoras, permitindo ao governo estadual investir cerca de US$ 25 milhões na área ambiental. Também enfrentou diversos desastres ambientais como o vazamento da Refinaria Duque de Caxias, que contaminou a Baia da Guanabara com petróleo, e o Rompimento do Emissário de Ipanema, despejando toneladas de esgoto nas praias do Rio.
Em alguns desses casos ele foi uma voz solitária dentro do governo exigindo que a população fosse plenamente informada dos acontecimentos e dos riscos para a saúde pública evolvidos, se opondo a uma política de “minimização da informação” que já havia se tornado uma prática comum. O trabalho de conscientização promovido nessa ocasião permitiu que a população cobrasse dos governantes uma postura mais ativa na resolução de problemas ecológicos. Paradoxalmente a transparência com que essas questões foram tratadas criou a falsa imagem de que o período tenha sido especialmente conturbado, demonstrando o quanto ainda é preciso caminhar até que o setor público encare o ambiental como uma responsabilidade e não como mais um peso político.
Atualmente Axel está de volta às praias de um terceiro setor bem mais estruturado e capaz de agir de forma positiva sobre a realidade. Suas atividades hoje incluem o Instituto Baia da Guanabara, onde coordena projetos de monitoramento e articula esforços entre as diferentes instituições presentes na região; e o Instituto Rumo Náutico, entidade presente em várias cidades, que procura utilizar os esportes náuticos como ferramenta de inclusão e profissionalização de jovens oriundos da rede pública de ensino de diversas cidades.
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