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Palestra de Oded Grajew no Seminário Liderança para Sociedades Sustentáveis
Em sua interlocução o ex-empresário do setor de brinquedos (Grow), fundador e presidente da Fundação Abrinq e do Instituto Ethos e idealizador do Fórum Social Mundial, Oded Grajew, ressaltou sua própria trajetória pessoal com o objetivo de dar a platéia do evento uma perspectiva de até onde uma liderança preocupada em mobilizar múltiplos setores sociais ponde chegar. Trajetória essa, que levou a ABDL e o Instituto Synergos a escolherem Oded como um dos primeiros estudos de caso do Programa Bridging Leadership no Brasil. As muitas coisas que Oded falou ao público podem ser resumidas, em linhas gerais, a importância tanto da iniciativa quanto da consciência pessoal nos esforços empreendidos por diferentes agentes sociais.
Destaca especialmente a importância de um profundo processo de auto-conhecimento, pois, em suas próprias palavras, “quanto melhor nos conhecermos, mais chances teremos para fazer as coisas de forma gratificante porque ficaremos mais inteiros em todas as situações”. Somente através deste auto-conhecimento, poderemos distinguir aquilo que realmente nos satisfaz das atitudes e opiniões que nos são socialmente impingidas.
Oded pode sentir os efeitos dessa verdade quando – ainda como acionista da Grow – começou a guiar-se mais por sua consciência e, afrontando o pensamento dominante entre os empresários do setor, implementou novos valores de democracia e transparência na gestão do Sindicato de Fabricantes de Brinquedos, do qual era presidente. Suas tentativas de melhorar as relações com trabalhadores, fornecedores e clientes, despertaram críticas em seus colegas. Para fugir destas tensões, detectou outros empresários com filosofias análogas e fundou o PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais, provocando uma verdadeira revolução no que significava ser empresário na época (década de 80). Além disso iniciou uma aproximação pessoal com as esquerdas políticas e os sindicatos, isso derrubou o “muro de Berlim” entre empregados e empregadores e abriu espaço para o aprofundamento das relações trabalhistas.
A idéia de criar a Fundação Abrinq surgiu da preocupação com que Oded acompanhava os indicadores da Unicef para o Brasil e foi algo totalmente novo para a época, nenhuma entidade empresarial até então contava com uma fundação. A fundação reuniu recursos de muitas empresas o que garantiu a alta visibilidade do projeto. Logo na seqüência fundou o Instituto Ethos para reunir voluntariamente membros do empresariado ao redor da idéia da responsabilidade social. A mentalidade praticada pelo Ethos não é a da simples filantropia mas o estabelecimento de valores éticos que pautem ações de decisões que antes estavam fechadas ao âmbito administrativo. O interesse de Oded ao fundar o instituto não era o de melhorar a imagem das empresas, mas o de fazer com que o setor mais poderoso da sociedade brasileira seja mais um elemento de transformação social. Hoje o instituto congrega nomes que representam cerca 28% do PIB brasileiro.
Para fechar sua fala Oded explicou como a idéia de realizar o Fórum Social Mundial lhe ocorreu enquanto ele estava de férias em Paris. O inspirador direto da idéia foi o Fórum Econômico Mundial dirigido por pessoas que ele descreve como tendo “sensibilidade nula” e de tão pouca visão que se prende a uma agenda exclusivamente econômica e de mercado e teimam em não enxergar o fato de a própria humanidade correr risco de extinção nas próximas décadas. “Para eles tudo o que importa é o ponto de vista do dinheiro, para concorrer com isso eu tive a idéia de fazer um fórum sobre o mundo das pessoas”. Talvez dessa forma se quebre o consenso que Oded acusa de cegar muitos países em desenvolvimento para as situações dramáticas a que a atual política de abertura os está levando, como o que aconteceu na Argentina. “É preciso que de vez em quando venha uma criança e diga o rei está nu”.
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