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Construção do novo LEAD começa pelo Brasil

O Brasil foi o país escolhido pelo Diretor de Parcerias Estratégicas do LEAD International, John Ashton, como ponto de partida para uma série de visitas que ele está fazendo às instituições que desenvolvem o Programa LEAD. O objetivo das visitas é facilitar o envolvimento da comunidade leadiana no processo de reconstrução da organização. Após mais de 11 anos atuando principalmente em programas de capacitação e na formação de uma rede internacional que reúne mais de 1500 pessoas, agora a instituição quer mobilizar todo esse capital social para provocar impacto direto nos problemas concretos do mundo e assumir um papel mais atuante na defesa dos ideais de sustentabilidade planetária.

As conversações com os fellows brasileiros tiveram início com a realização de uma conferência virtual nesse último dia 16. Foram proferidas, a partir da sede do LEAD International em Londres, palestras a respeito do que se pretende com as mudanças e sobre os eixos estratégicos inicialmente pensados estruturar futuras atividades. Alguns fellows reunidos na sede da ABDL tomaram parte nesse encontro e puderam levantar questões e dar seus aportes.

Esse intercâmbio de idéias será aprofundado com a passagem de John Ashton, que tem sido a figura chave no desenho do futuro do LEAD, pelo Brasil entre 21 à 27 de janeiro. Nesse período ele deve participar de três reuniões com fellows (São Paulo e do Rio de Janeiro, ambas no dia 22; e Porto Alegre, dia 25) além de ir ao Fórum Social Mundial, onde tomará parte nas oficinas promovidas pela ABDL. Nas palavras dele, esse tipo de encontro com é imprescindível para que a definição do LEAD não se torne algo definido de cima, à partir do escritório londrino. “Não podemos produzir soluções unilaterais e querer empurra-las para nossos fellows. Teremos que construí-las em conjunto, de outra forma entraríamos em conflito com as prioridades que essas pessoas tem em suas vidas pessoais”, diz.

Tanto na conferência virtual quanto na reunião em São Paulo o principal foco de debate forram os quatro campos prioritários propostos pelo LEAD Internacional: ecossistemas, comunicação para o desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e responsabilidade empresarial. E como estes poderão guiar, num futuro próximo, a formatação de linhas de atuação direta que possam mobilizar a rede agir de forma articulada. O momento continua sendo mais voltado à divulgação dessas idéias do que à formatação do que virão a ser tais linhas de atuação e de como se dará efetivamente a participação dos fellows. “Ainda é muito cedo para responder como as idéias iniciais que estamos apresentando se desenvolverão, não creio que consigamos chegar a propostas realmente consistentes até a segunda metade deste ano”, explica Ashton.

Se algo está absolutamente certo para ele é o potencial de impacto da rede construída pelo tradicional programa de formação. Para ele o LEAD possui o potencial para fazer “enorme diferença” na forma como se enxerga a sustentabilidade hoje devido a abrangência, a flexibilidade e pluralidade que se pode encontrar na rede. Essa pluralidade pode ser usada para lidar com questões particularmente complexas como, por exemplo, ajudar na implementação dos “Millennium Ecosystem Assessment”, cujo papel é criar mecanismos que permitam compreender a degradação dos diferentes ecossistemas dentro do contexto do bem estar da humanidade. “Dessa forma podemos mudar nossa maneira de tomar decisões de forma a levar em conta as conseqüências para os ecossistemas e as conseqüências dessas conseqüências para as pessoas. Creio que o LEAD poderia ter um papel na preparação de governos, empresas e ONGs para essas novas demandas, que deverão ser bastante novas para muitos atores.”

Outro mérito que John aponta na comunidade leadiana está em sua transculturalidade, que ele enxerga como uma porta para construção da confiança internacional necessária a criação de soluções conjuntas necessárias ao enfrentamento de problemas ambientais de caráter transnacional. Segundo ele os progressos nesse tipo de debate têm sido excessivamente lentos através dos canais normais de negociação diplomática – John trabalhou XX anos como diplomata especializado em questões ambientais para o British Foreign Consil (?). Para ele, o debate a respeito de problemas concretos do meio ambiente, como os debates sobre o uso compartilhado de recursos hídricos, poderiam provocar um reflexo positivo em regiões conflituosas. “Unir os LEADs da Índia e do Paquistão, por exemplo, é algo no qual estou profundamente interessado”.

Os próximos meses deverão ser marcados pelo aprofundamento no debate em torno da definição de um modelo capaz de permitir o envolvimento dos mais 1500 membros da “LEAD Family”. Uma nova, e mais eficiente, mobilização da rede é, antes de tudo, uma grande oportunidade aberta para que se possa fazer mais e melhor no sentido de acelerar a transição rumo a uma sociedade sustentável num mundo cada vez mais complexo e imprevisível. No fundo o Novo LEAD é um retorno a concepção original da instituição, “o objetivo do LEAD quando foi fundado pela Fundação Rockefeller não era exclusivamente treinar pessoas, esse era apenas um meio, mas causar impacto sobre a realidade. Poderemos fazer isso muito mais eficientemente se encontramos maneiras de nos articularmos melhor.”

31 de Janeiro, 2003
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A rede LEAD desenvolve uma rápida e crescente rede de contato com maid de 2000 fellows, em mais de 90 países, possuindo escritório em 14 regiões pelo mundo. Nossa missão comum é inspirar lideranças para um mundo sustentável.
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