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Um grande laboratório de reflexão e vivência
Pela primeira vez, o LEAD promoveu o debate sobre governança e processos de tomada de decisão em escala global. Para os bolsistas brasileiros, foi um processo muito enriquecedor, à medida que eles participaram deste mesmo debate em seu treinamento nacional e levaram a sua experiência para a sessão internacional, em Nova York.
Os bolsistas brasileiros da 6ª Turma do Programa LEAD deram um grande salto neste final de milênio, ao discutirem com profundidade as políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. O treinamento nacional, realizado em março, foi marcante nesse sentido. Sob o tema "Poder e Governança", os bolsistas se reuniram não por acaso em Brasília e mantiveram um contato estreito com agentes formuladores de políticas públicas no País.
Em sua estrutura, A ONU incorpora dois poderes (Legislativo e Executivo) em escala mundial. Assim a Comissão de Desenvolvimento Sustentável (criada logo após a Rio-92 para monitorar e fiscalizar as ações dos governos no cumprimento dos acordos, especialmente da Agenda 21) se assemelha a um órgão legislativo, enquanto agências como a PNUD, FAO e a Unicef executam os programas das Nações Unidas. "Os bolsistas puderam acompanhar os membros dos poderes Executivo e Legislativo, através de várias sessões com representantes do Senado, do Ministério do Meio Ambiente e da Embratur. E tiveram a responsabilidade de elaborar uma proposta voltada para o turismo sustentável no País, a partir de sessões sobre o tema com representantes dos setores público, privado e de ONGs", conta o diretor do LEAD Rubens Born.
Para Born, o treinamento transformou o Programa num grande laboratório de reflexão e vivência. "Atividades desta natureza são fundamentais para quem está participando de um programa de lideranças em desenvolvimento sustentável e meio ambiente. E por isso é preciso compreender a fundo como se estabelecem políticas públicas", enfatiza.
Na sua opinião, os programas de lideranças, como o LEAD e o Prolides, têm uma grande responsabilidade. "Eles não podem ser conduzidos meramente como um treinamento. O caminho que escolhemos é o de colocar os bolsistas diante de certos desafios, de certos dilemas, para que eles se posicionem, exponham as suas opiniões. E possam perceber que os convidados para as nossas sessões, que dominam certos assuntos, não são necessariamente os únicos donos da verdade", analisa. Com isso o diretor reafirma que este caminho reforça que a ABDL é muito mais um organismo de capacitação e fortalecimento de lideranças, do que de treinamento em si.
O documento elaborado pelos bolsistas – que avalia este importante setor econômico e reafirma que o turismo sustentável extrapola os limites do ecoturismo (o texto está à disposição na home-page da ABDL) – foi encaminhado ao Itamarati para ser incorporado como uma das propostas brasileiras levadas para a sessão da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que discutiu o assunto e foi acompanhada pelos bolsistas do LEAD presentes na sessão internacional em Nova York, em abril.
"Para os brasileiros foi uma experiência fantástica, à medida em que no treinamento de Brasília eles puderam ter contato com a realidade local e nacional dos poderes públicos. A discussão ganhou a dimensão global no encontro de Nova York e a experiência se completou com o acompanhamento da sessão na ONU", completa Rubens Born, diretor nacional do LEAD e coordenador executivo da ABDL.
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