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Professor Rattner no Kabbalat Shabat da Congregação Israelita Pta, em homenagem do Lar das Crianças
Recebi o convite do Lar das Crianças com muita honra e felicidade.
A honra – porque os princípios e práticas que introduzimos no nosso trabalho no Lar, durante doze anos, foram incorporados e desenvolvidos pelos que nos seguiram e permitiram para que o Lar se tornasse a instituição exemplar,
admirada e respeitada, uma instituição humanista e bem administrada.
Foram duzentas crianças com as quais convivemos, dia e noite – o Lar era também internato naquela época e pelo menos 80 crianças lá dormiam – uma convivência de uma família extensa e da qual a Dona Miriam era a mãe da casa. Cuidava que as crianças, após o jantar, tomassem banho, preparassem a roupa para o dia seguinte e foram para a cama, sem chorar ou brigar. Obrigado, Miriam! As mães aqui presentes certamente sabem avaliar o esforço físico e emocional despendido nessas tarefas.
E eu – era o More. Refleti muito sobre a conotação que as crianças deram à palavra, já que não lecionei formalmente. Creio que para elas, era o More Derech – que mostrava o caminho, pelas atitudes, o comportamento eos valores praticados.
Certamente, não escapou às crianças que após o jantar, o More corria para tomar o bonde, para chegar a tempo à rua Maria Antônia, onde funcionava a FFCL da USP e onde estudava durante 8 anos, fazendo graduação, licenciatura,
pós graduação e doutorado, sempre trabalhando e estudando de noite, sábados e domingos.
E, também, não foi por acaso que um número tão grande de crianças ingressou e se formou nas melhores escolas do país – a POLI, o ITA, a Faculdade de Medicina da USP, a Getúlio Vargas. Ciências Sociais, Educação Física. Sem esquecer o número expressivo de empresários e homens de negócios que se destacaram com seus empreendimentos. Qual o pai que não se orgulharia de tais filhos?
Entendi as palavras de nossos sábios: “muito aprendi com meus mestres; mais com meus pares e, mais ainda, com meus discípulos. Sempre entendi a missão do educador como não somente a transmissão de conhecimentos, mas a demonstração, pelo exemplo, atitudes e valores, do caminho da vida...
Minha formação de professor, pesquisador, conferencista e coordenador de projetos internacionais me levaram para todos os rincões do mundo – desde a Indonésia, China, Índia, Japão até todos os países da América Latina, África e a Europa.
Nesses encontros com jovens de todo o mundo, surgiram as perguntas sobre o sentido da vida: o que fazer para deter a onda de violência, perseguições, discriminações, injustiças e desigualdades?
Novamente, fui buscar uma resposta na sabedoria de nossos mestres... “ Kol haolam culo, gesher tzar meod” – o mundo todo é uma ponte muito estreita. De onde ela vem? Não sabemos, nem os físicos, astrônomos, geólogos e
biólogos são capazes de nos dizer sobre a origem do universo, da vida e da espécie humana.
E, aonde ela nos leva? Tampouco o sabemos.
Gerações de filósofos e cientistas políticos tentaram encontrar respostas sobre os rumos do desenvolvimento da espécie humana.
Mas, viver, cumprir a missão existencial, é atravessar a ponte!
Como fazê-lo, se ela é tão estreita e muitos tropeçam e caem antes de subir e iniciar a travessia?
Eis a nossa missão: construir pontes, abrir caminhos e trilhas para que todos possam caminhar e atravessar – assim cumpriremos os mandamentos da solidariedade e de justiça social, enfim, construiremos uma sociedade em que todos possam viver em paz e harmonia, num mundo seguro e justo, fraterno e pacífico.
Eis a mensagem. E, estou feliz por continuar sendo o mensageiro.
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