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ISER reúne Lideranças Religiosas em Debate sobre Mudança Climática
Lideranças de diferentes tradições religiosas se reuniram no ISER para debater o tema das mudanças climáticas. O encontro, além de se propor a discutir um assunto de extrema importância na atualidade, teve o mérito de reunir duas áreas – religião e meio ambiente – cuja relação nem sempre se faz evidente. Afinal, as questões ambientais geralmente são tratadas pelo viés político, ecológico e econômico e apresenta atores definidos, como governos, ecologistas e empresas; enquanto a atuação da área de religião envolve usualmente militâncias especificamente atreladas a uma ação de caráter mais espiritual.
O evento, organizado por Maria Rita Villela, antropóloga e pesquisadora do Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento do ISER, se propôs a estabelecer um diálogo que convidasse os representantes das diferentes tradições religiosas a compartilhar suas idéias e percepções relativas ao tema das mudanças climáticas. A partir dessa dinâmica comprometida com a troca, os participantes tiveram, ainda, a oportunidade de expor e discutir os projetos que vêm sendo desenvolvidos nesta área, por cada tradição. A intenção era a de promover uma união dos esforços de se pensar a questão, com vistas à criação de um programa pedagógico sobre mudanças climáticas para o público religioso.
Para dar início ao debate, Bawa Jain, secretário geral do Conselho Mundial das Lideranças Religiosas (World Council of Religious Leaders), apresentou um vídeo realizado na sede das Nações Unidas, em 2000. Nele, diferentes lideranças religiosas mundiais procuram chamar atenção para a importância de todos os governos e indivíduos incorporarem em seus estilos de vida, decisões políticas e produções científicas alguns princípios éticos comprometidos com o desenvolvimento sustentável e a redução da emissão de carbono.
Esse encontro realizado no ISER no dia 11 de setembro é mais um fruto de pensamentos que remontam a ECO-92, quando se frisou a importância de se buscar meios de conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra. Na época, governos, ONGs e líderes religiosos se reuniram para alertar-nos para o fato de que os danos ao meio ambiente eram de responsabilidade de todos, sobretudo dos países desenvolvidos, os maiores poluidores.
Thaís Corral, coordenadora da Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) e diretora da Rede Global de Lideranças (Global Leadership Network), também trouxe à tona a Conferência de 92. Ela ressaltou a importância fundamental do evento para a consagração e difusão do conceito de desenvolvimento sustentável. Todavia, a própria coordenadora da REDEH, ofereceu como contraponto ao clima de nostalgia o fato de que “na década de 90, a sociedade civil discutia bastante o tema, mas esperava muito dos governos; só a partir de 2000, a sociedade civil passou a atuar de maneira mais incisiva, pois se deu conta da complexidade do tema e da necessidade de tratá-lo através de ações colaborativas”.
Após as apresentações iniciais, que contou também com a fala de Claudison Rodrigues, diretor de educação ambiental do Ministério do Meio Ambiente, e das exposições de Rubens Born, coordenador executivo da ONG Vitae Civilis, as lideranças presentes participaram de uma oficina cujo objetivo era a construção de uma proposta pedagógica para formação de lideranças religiosas que atuem no campo das questões ligadas às mudanças climáticas.
De fato, todos os que participaram da oficina estavam de acordo quanto ao fato de que a missão atual da religião e dos líderes religiosos não será apenas a de manter ritos e tradições seculares e pregar doutrinas atemporais, sem que nenhum tipo de orientação à conduta dos seguidores em relação às questões do seu cotidiano seja oferecida. No que se refere especificamente ao tema das mudanças climáticas, para que esse projeto de ação mais concreta seja levado a cabo é fundamental que essas lideranças se capacitem, de modo que saibam se comunicar com a sua comunidade religiosa e sensibilizá-la para os problemas climáticos.
Confira o relatório sobre o encontro:
Relatório_ELRMC.pdf
Contato:
comunicação@iser.org.br
Fonte: http://www.iser.org.br/exibe_noticias.php?mat_id=275
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