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Globalização põe em risco a diversidade
A globalização que unifica e padroniza mercados, meios e modos de produção, que transforma o mundo em uma grande aldeia ao mesmo tempo em que desconsidera ou ignora a diversidade em todos os seus níveis. Esta realidade, que entrou na vida dos cidadãos de todos os países sem pedir licença no final do século XX, foi o pano de fundo de todos os debates, palestras e troca de experiências dos treinamentos, nacionais e internacionais, das turmas dos programas de capacitação coordenados pela ABDL durante este ano: o LEAD e o Prolides.
Os encontros pautaram-se sempre no tema da sustentabilidade, mas a globalização, de uma forma ou de outra, acabou permeando todos eles. Impossível escapar, mesmo porque não se pode potencializar lideranças e discutir seu trabalho junto às comunidades ignorando que o mundo globalizado homogeneíza tudo e interfere de forma contundente no cotidiano das cidades, dos estados e dos países. Criando grandes bolsões de pobreza e exclusão social no seio de privilegiadas ilhas de abundância.
O que poderia, em função desta constatação perversa, desanimar qualquer um, ao contrário, deu mais ânimo ao trabalho desenvolvido ao longo de 2000 por todos os envolvidos nos dois programas. Na certeza de que, mais que um sonho, está nas mãos de cada um garantir que a sustentabilidade seja real, promovendo justiça social e democracia em todos os níveis e regiões.
Para concretizar a utopia das sociedades sustentáveis, é preciso também levar em conta os aspectos relativos à diversidade, em todas as suas formas. “Primeiro porque para haver desenvolvimento sustentável é preciso conservar a diversidade biológica; para haver democracia é preciso respeitar a diversidade política; e para promover justiça social e direitos humanos é preciso respeitar a diversidade étnica, cultural e racial”, diz o coordenador executivo da ABDL, Rubens Born.
Segundo ele, o tempo é outra variável a ser considerada no processo de transição para sociedades sustentáveis e não pode ser encarado de maneira global e unitária, mas percebido em três tempos (escalas) humanos. "O primeiro é o tempo do indivíduo, portador de desejos, expectativas, valores e atitudes que definem sua ação em diversos grupos sociais; depois, vem o tempo da comunidade, quando os tempos e expectativas dos indivíduos encontram-se, convergindo ou conflitando, e produzem as dinâmicas sociais do grupo; por fim, há o tempo histórico, que ultrapassa os limites dos tempos dos indivíduos e de agrupamentos sociais, em que se percebem as transformações estruturais e aquelas que podem apenas atingir as gerações futuras", reflete.
Ele avalia que as lideranças dispostas a se empenharem efetivamente não podem desconsiderar as dimensões do tempo – somados ainda a outras duas: o tempo biológico (o dos seres vivos atuais e o da evolução da vida no planeta); e o geológico. É no tempo que a diversidade vai se desenhando em todos os aspectos. "Por isso, é preciso refletir sobre o papel das lideranças, já que a globalização está levando para um rumo diferente da preservação da diversidade", considera, enfatizando que a diversidade passa a ser elemento base de qualquer sistema que se queira ter em sustentabilidade. Não obstante, diz Born, temos a percepção da urgência das transformações necessárias para alterar o quadro atual de degradação social e ambiental no planeta.Nas matérias seguintes, apresentamos um resumo do trabalho desenvolvido durante este ano e as perspectivas para 2001.
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