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Training of Trainers na Índia
Em abril de 2005 ocorreu em Delhi, capital da Índia, o quinto e último evento da série Training of Trainers (ToT), iniciativa mantida pelo time de capacitação do LEAD International. A idéia do ToT nasceu em 1999, quando o Conselho de Diretores Executivos dos Member Programs (MP) se reuniu para uma revisão do currículo do Programa LEAD. Nesta ocasião, foi definida uma estrutura curricular prevendo os seguintes módulos: System Thinking; Cross Cultural Communications; Intergovernmental System; Teambuilding; Negotiations. Estes módulos passaram a existir em forma de Trainings of Trainers, destinados aos diretores acadêmicos, para serem adaptados e multiplicados pelos MPs.
O ToT ocorrido na Índia chama-se “Negociação para o Desenvolvimento Sustentável”. Trata-se de um módulo de um dia (cerca de 8 horas), composto de sessões que incluem dinâmicas interativas, exposições conceituais, debates temáticos e sistematizações. Dentre as atividades estão: um breve jogo que coloca em pauta a idéia de competição versus colaboração; um jogo de negociação coletiva, baseado no “Dilema do Prisioneiro”; e a simulação de um processo de negociação que envolve múltiplos atores sociais.
Esta última parte propõe uma simulação na qual o acesso aos recursos naturais é o foco da disputa entre os envolvidos na negociação. É um dilema baseado num recorte de zona costeira havaiana, envolvendo questões de agricultura, acesso à praia, uso e acesso à água, planos de novas construções, questões da política local e componentes de turismo. Esta simulação foi desenvolvida pelo Program on Negotiation, da Universidade de Harvard, e propicia um exercício de aproximadamente 3 horas, contando as instruções, a simulação e o debate de fechamento.
O conteúdo da apresentação inclui a “abordagem de ganhos mútuos”, desenvolvida por Larry Susskind do MIT e sua organização, o Consensus Building Institute. Este conceito trás a idéia de que se considerarmos um pouco além do tempo imediatamente após a negociação, mesmo sob a ótica de ganhos individuais, é, na maioria das vezes, mais proveitoso sermos colaborativos. Não se trata de uma abordagem do tipo: “seja bonzinho e ceda para que todos possam ganhar um pouquinho”. Trata-se de remover o paradigma tradicional da disputa que afirma “eu ganho somente se meu adversário perder”, substituindo-o por uma “construção coletiva”, na qual “o bolo” a ser repartido ainda não está pronto e todos os envolvidos podem acrescentar ingredientes. Assim, entra a idéia de fazer coletivamente um bolo que será repartido por todos (ou entre o máximo possível dentre os atores envolvidos).
O módulo é útil para ajudar as pessoas a pensarem em processos de negociação como uma maneira de criar uma oportunidade de ganhos mútuos, realçando as relações sociais estabelecidas e a obtendo soluções duradouras.
Foram 5 dias de ToT. No primeiro, cada diretor acadêmico fez o relato das atividades desenvolvidas por seu país, processo de seleção e currículo para novos programas, projetos ativos, carteira de financiadores. Do segundo ao quarto dia houve a capacitação do módulo de negociação. No quinto dia o grupo de diretores acadêmicos aplicou o módulo aprendido nos participantes da turma 11 da Índia, aproveitando o primeiro seminário desta turma que ocorria simultaneamente na mesma cidade. Estiveram presentes os MPs: África Francófona, Brasil, CEI, Europa, Índia, Indonésia, México, Paquistão, além da equipe do LEAD Internacional. Havia também alguns fellows da Índia, das turmas 3 e 8.
Hoje a situação dos MPs varia muito. A tendência já vinha se delineando há algum tempo, mas a cada ano se aprofunda. Em relação ao número de participantes da turma 11 do Programa LEAD, por exemplo, a diferença vai de 12 associados na Indonésia (a US$ 4 mil cada, 4 pagantes e os outros com bolsa integral), passando pelos 20 associados do México (US$ 16 mil cada, todos pagantes) até os 45 associados no LEAD África Francófona (não informou custo por associado e nem quantos têm bolsa), sem contar o Brasil que – formalmente – não terá uma turma 11.
Em termos de “outros projetos desenvolvidos” (além da Turma 11 do LEAD) a variação também é significativa em termos de áreas/conteúdos (gestão participativa, educação, advocacia, responsabilidade social, governança ambiental, mudança climática, etc), formas (cursos e programas, envolvimento em programas governamentais, mobilização, etc) e financiadores (Consulado Britânico, governos locais, fundações privadas, o próprio LEAD através dos Special Opportunities Funds).
O Brasil levou sua proposta de programas “LEAD-like” e a nova estrutura que está posta em lugar das tradicionais “turmas”. Representando a ABDL, a coordenadora acadêmica, Clarissa Magalhães, falou sobre alguns dos programas desenvolvidos pela organização, como Pronord 2004 e o, recém-lançado, RedesEnvolvimento. Ela também contou como a atuação da ABDL é hoje fundamentada no estreitamento com a rede de fellows e com outros parceiros, além do investimento que a entidade está fazendo para encontrar alternativas ao modelo “capacitar para depois articular”, construindo um modelo onde capacitação, articulação e mobilização são ações complementares si e presentes em seu conjunto na maioria dos programas.
Programação LEAD - No final do ano passado, a ABDL propôs à Direção Executiva do LEAD International uma nova estrutura de programas e de formação para os fellows brasileiros. Resumidamente, o participante de um dos programas que fazem parte da Programação LEAD se torna fellow daquele programa. Caso este participante tenha o interesse e o perfil necessários para participar de outras capacitações – nas esferas nacional, regional e internacional – que compõem a programação LEAD, ele se tornará um fellow LEAD Internacional. Em vista disso, nós não lançamos a Turma 11 mas continuamos vinculados à rede, com propostas e possibilidades de inovar junto a ela.
A ABDL tem um enorme desafio pela frente. Participar ativamente da re-estruturação da Rede LEAD, compondo metas e compromissos comuns para fellows e MPs e abrindo possibilidades para a continuidade do Programa LEAD para a construção de um mundo sustentável. Nossa participação no ToT teve, com isso, dois objetivos fundamentais: um, desfrutar do aprendizado coletivo em mais uma atividade presencial do programa; dois, reafirmar junto à rede nossa postura de inovação e de proposição em relação ao futuro.
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