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Gerando trabalho e renda
O ponto de partida para o equacionamento de uma proposta de desenvolvimento alternativo é a estrutura fundiária da região, profundamente dividida entre grandes propriedades de terras e pequenos lotes – minifúndios.
Esta estrutura agrária assimétrica é constantemente reforçada pelo modelo de desenvolvimento imposto pelos interesses do grande capital - nacional e internacional – que não atende às particularidades locais e o potencial de recursos naturais a ser aproveitado de forma sustentável pelos atores sociais da região.
Assim, surge uma situação paradoxal e contraditória: de um lado, recursos naturais e uma força de trabalho aguerrida e voluntariosa, de outro, as relações sócio-econômicas desiguais constantemente reforçados pelo discurso e a pratica política das elites tradicionais.
Apesar das condições ecológicas adversas – terras semi-áridas e secas periódicas – a população tem conseguido desenvolver várias atividades produtivas – caprinocultura, sisal, artesanato, culturas de subsistência – através de organizações cooperativas que contribuem para a construção da cidadania e da democratização do poder local.
Indubitavelmente, este processo de desenvolvimento endógeno potencializa a capacidade de investir e reinvestir o excedente gerado com os recursos naturais locais e, ao mesmo tempo, respeita os valores culturais tradicionais, ambientais e humanos.
O projeto de desenvolvimento sustentável e solidário surge da necessidade de resistir à lógica fria e desumana dos mercados globalizados, regidos pela competitividade destrutiva e excludente.
Demonstra as possibilidades de gerar alternativas de trabalho e renda mesmo nas regiões mais pobres e abandonadas pelo poder público. A organização da produção coletiva e sua comercialização pelos próprios produtores favorecem inovações tecnológicas “apropriadas” que fortalecem e retroalimentam as potencialidades locais e regionais.
As propostas de mudança não se limitam apenas às atividades econômicas. Para ampliar as alternativas de geração de trabalho produtivo e de renda, agrícola e não-agrícola, ênfase deve ser dada a melhorias de saúde, habitação e saneamento. Na área de educação, é imperiosa uma mudança radical no ensino regular, na formação profissional, na extensão rural e na assistência técnica. Somente assim será possível imprimir ao processo de desenvolvimento parâmetros qualitativos, em vez de ilusórios indicadores quantitativos usados para aferir o crescimento do PIB, enquanto oculta ou ignora as questões cruciais...”para que e para quem?”
Junto com os avanços na organização coletiva da produção surge um sentimento crescente de solidariedade e de mobilização para superar as desigualdades sociais, através da conquista plena da cidadania e da democracia participativa, de acordo com a Carta dos Direitos Humanos.
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