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CEMINA vence Prêmio Telemar de Inclusão Digital
A noite da última terça-feira, dia 14 de dezembro, foi muito especial para a equipe do CEMINA - Comunicação, Educação e Informação em Gênero, organização idealizada e liderada pela fellow Thais Corral. Depois de muita expectativa, a atriz Marisa Orth anunciou o Projeto Cyberela, que alavancou a criação de 29 rádio-telecentros no Brasil, como o vencedor nacional na categoria ong do Prêmio Telemar de Inclusão Digital. A coordenadora do projeto, Silvana Lemos (foto), recebeu o prêmio. O evento aconteceu no Museu das Telecomunicações, no Rio de Janeiro. O CEMINA concorreu com mais de 435 projetos em todo o Brasil.
A Rádio Comunitária Boca da Mata FM, liderada pelo fellow José Gilson, do Pronord 2004, foi uma das organizações capacitadas pela Rede Cyberela.
O Projeto do Centro de Mulheres do Cabo de Pernambuco, que faz parte da Rede Cyberela, também foi premiado, com a segunda colocação na categoria Norte/Nordeste.
O Projeto Cyberela
Em 1999, a organização, percebendo que a Internet poderia facilitar a troca de conteúdo e ampliar o trabalho já realizado pelas integrantes da Rede de Mulheres no Rádio (RMR), começou a inserir o conteúdo de Internet nas capacitações ensinando a navegar e criar correios eletrônicos. Quando criou uma página com o perfil das integrantes da RMR, percebeu a dificuldade de acesso e os obstáculos delas em lidar com as novas tecnologias. Através do rádio, as comunicadoras populares têm estimulado a participação comunitária tanto em debates sobre cidadania quanto no controle social de políticas locais.
O cenário imposto pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) apresentou um grande desafio: ou as mulheres faziam parte desse processo ou seriam mais uma vez excluídas da participação igualitária na sociedade. Incluir as mulheres no universo da informática e da internet, sem abrir mão de uma história bem sucedida através das ondas do rádio, passou a ser prioridade para o CEMINA.
Em 2002, o Programa Fala Mulher ganhou status de uma rádio na internet. A www.radiofalamulher.com veio intensificar a estratégia de trazer as mulheres para esse universo com a disponibilizando conteúdos radiofônicos com foco de gênero e direitos humanos na Internet. O próximo passo foi a abertura de um concurso direcionado à Rede de Mulheres no Rádio com o objetivo de facilitar o acesso das comunicadoras de rádio às TICs. Vinte e nove comunicadoras foram selecionadas a partir de sua capacidade de mobilização e serviços prestados à comunidade através do trabalho nas rádios; da falta de provedores de acesso à banda larga na região; do interesse da comunicadora popular parceira em trabalhar também na democratização do acesso aos computadores na sua comunidade em projetos de telecentros.
Essas comunicadoras receberam computadores dotados de programas para edição de áudio, foram capacitadas para usá-los, contempladas com conexão de banda larga e assistência técnica por seis meses com o propósito de melhorar a qualidade da produção radiofônica e facilitar o intercâmbio de arquivos de áudio via internet promovendo a formação de uma nova rede, a Rede Cyberela.
Essa iniciativa contou com o apoio do Programa Infodev e da Fundação Kellogg. A mesma conexão à internet de banda larga que já estava conectada à rádio está sendo ampliada para a comunidade. Esta expansão chamada de rádio-telecentro, visa promover a capacitação para que as mulheres sejam incluídas digitalmente, além de propiciar acesso aos recursos educativos e de geração de renda da Internet aos moradores das comunidades. Essas rádio-telecentros também têm propiciado o aperfeiçoamento dos recursos para a produção radiofônica, sobretudo em nível da pesquisa e edição dos programas e campanhas.
Outro tipo de impacto que se dá nas comunidades é a capacitação de outras pessoas no uso das TICs. Os telecentros que estão sendo montados aproveitando a conexão de banda larga contam hoje, pelo menos 18 deles, com parceria do Ministério do Planejamento que facilitou a instalação de antenas via satélite sem custos. O Banco do Brasil doou 110 computadores usados que servem como terminais nos telecentros. E a Fundação Banco do Brasil selecionou 9 destas experiências para dar toda infra-estrutura para implementação destes espaços.
Os rádio-telecentros de São Gonçalo no Rio de Janeiro, de Paulo Afonso, de Lençóis e Pintadas da Bahia e o de Campestre em Alagoas já estão funcionando. Nas demais localidades a fase atual é de formação dos conselhos gestores e de busca de recursos para capacitação local dos monitores. O próximo passo será incentivar os grupos de mulheres de cada uma destas comunidades a gerarem renda através das novas tecnologias. As rádio-telecentros têm um modelo que pode ser replicado em qualquer país da América Latina.
Para mais informações sobre o CEMINA e a Rede Cyberela, clique aqui
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