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Comunidade amazônica é exemplo de sustentabilidade
A turma 10 do programa LEAD Brasil, juntamente com a ABDL, esteve em Silves, em dezembro de 2004. A visita a esta cidadezinha do interior do Amazonas (300km de Manaus) foi parte do 4º Seminário Nacional da turma, chamado “Liderança, Sustentabilidade e o Futuro da Amazônia”.
Para chegar a Silves, que está situada em uma ilha no lago Canaçari, a turma viajou três horas e meia de ônibus e mais uma hora de barco. Lá, o grupo pode conhecer um projeto comunitário de preservação ambiental e cultural que tem bons resultados. Esse projeto é levado a cabo pela Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) e tem no turismo ecológico uma de suas fontes de renda. A ASPAC mantém a Pousada Aldeia dos Lagos, onde todos são muito bem recebidos.
A Visita
A primeira visão de Silves é linda. A cidadezinha, numa ilha, toda iluminada por luzinhas coloridas, uma igrejinha colonial bem conservada e bandeirinha em homenagem à santa padroeira da cidade e do estado do Amazonas, cujo dia se comemora por aqueles dias, segundo informou o falante Roberto, que recebeu parte da turma (que ficou para uma segunda viagem do porto à pousada).
No dia seguinte à chegada, a turma ouviu os associados da ASPAC contar a história da organização, sua atuação e seus desafios. O projeto é realmente sensacional! Depois, foram a AVIVE, uma associação de mulheres silvenses que produz sabonetes, perfumes, incensos e outros cheiros com paus, folhas e sementes da floresta amazônica. Outro projeto bem bacana e que os fez pensar muito sobre direitos comerciais e ambientais. À tarde, visitaram o lago de preservação permanente do Purema, onde a ASPAC mantém um observatório flutuante. Fizeram uma pequena caminhada na mata. Viram muitos peixes saltitantes e dezenas de jacarés. Um deles se exibia com um peixão na boca.
O segundo dia em Silves o fechamento do seminário. Pela manhã, os participantes fizeram o exercício da linha da vida, onde todos desenharam sua trajetória desde a seleção para o programa até aquele dia, contando da vida profissional e pessoal e os pontos de intercessão com o LEAD. Foram levantadas questões sobre o programa e sugerido que a turma escrevesse textos sobre os painéis deste encontro. À tarde, Andrés Falconer, coordenador executivo da ABDL, falou um pouco sobre a programação para 2005 e abriu ao comentário de todos. Também foi feita a dinâmica do “Que bom! Que pena! Que tal?”, quando os participantes colocaram em tarjetas sugestões, criticas e elogios ao evento na Amazônia. À noite, foram a um pique-nique numa praia ali perto, com a presença de moradores locais e várias crianças. Ao final, todos cantaram músicas infantis à luz da fogueira.
Preservação e Ecoturismo
Há 23 anos a comunidade da região vem buscando meios para a defesa de seus recursos pesqueiros, ameaçados pela pesca comercial. A exploração predatória tem se multiplicado na Amazônia devido ao aumento da demanda urbana por peixe e à queda nos preços de outros produtos extrativistas. Com a ameaça ao estoque pesqueiro, instalaram-se em Silves conflitos relativos ao uso dos recursos da várzea, que se repetem por toda a Amazônia. Estes conflitos acontecem entre moradores locais, que praticam a pesca artesanal de subsistência, e pescadores comerciais das grandes cidades, que invadem sistemas de lagos e utilizam apetrechos de pesca inadequados.
No caso de Silves, a pressão da comunidade levou à criação de três padrões de uso do sistema de lagos, rios e canais – lagos santuários, lagos de pesca de subsistência e áreas para a pesca comercial – através de Lei Municipal. Para implementar um sistema de manejo efetivo dos lagos, visando recuperar e conservar os estoques de peixe, a comunidade se articulou em uma organização não-governamental denominada Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural - ASPAC.
Em busca de fontes de financiamento para as atividades de conservação, a ASPAC iniciou um projeto comunitário de ecoturismo. Embora o potencial dessa atividade no Brasil seja imenso, trata-se de um conceito novo. A maioria dos empreendimentos existentes limita-se à exploração do "turismo na natureza", sem adotar os verdadeiros princípios do ecoturismo: envolvimento e benefício das comunidades locais e uma fonte alternativa para a sustentação dos recursos naturais. Se implantado corretamente, o ecoturismo pode contribuir para o manejo de áreas de relevância ambiental e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida das populações. O ecoturismo pode dar às populações os recursos para a proteção das áreas naturais visitadas, garantindo a atividade econômica, a geração de emprego e o aumento de renda familiar.
A ASPAC conta ainda com os apoios do WWF Brasil, dos Governos da Áustria, Inglaterra e Suécia e dos programas Pró-Várzea/Ibama e PD/A, ambos do Ministério do Meio Ambiente.
A Pousada
Em busca de sustentabilidade para suas ações de conservação, assim como para valorização da cultura ribeirinha, a ASPAC iniciou um projeto comunitário de ecoturismo baseado na construção de uma pousada ecológica (Hotel Aldeia dos Lagos).
Entre 1994 e 1996, foi implantada a infra-estrutura básica de hotelaria e a comunidade recebeu os primeiros treinamentos para sua operação. Numa segunda fase, foram desenvolvidos os roteiros turísticos de caráter educativo e ambiental, aproveitando a excepcional riqueza da paisagem e da cultura da região. Os roteiros possibilitam ao visitante o convívio com as belezas da Floresta Amazônica e os costumes das populações tradicionais locais.
Os anos de 2001 a 2003 marcaram os investimentos em novas ações de ecoturismo, com a comunidade assumindo integralmente a gestão do negócio.
Fontes:
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